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30.9.04


chato de galocha. (Formato e inspiração descaradamente gafanhotados deles.)

"Caro Mister Hoogendorn,
Não sei porque esses gringos fazem tanta questão de atribuir significados e pronuncias distintas a palavras cuja única diferença é uma consoante dobrada. Dia desses me peguei com uma dúvida cruel: queria escrever 'pequenino' para um amigo americano, mas não sabia se usava 'tiny' ou 'tinny'. Quando posso saber se dobro ou não a maldita consoante?"
Beau Baffled By Grammer


Meu caro Beau,
Sua dúvida é deveras pertinente. Acomete muitos dos meus alunos patagões que, como vocês brasileiros, têm dificuldades com uma língua que não é lá tão cartesiana. Vamos ver se consigo te ajudar.
Quando a vogal é seguida de só uma consoante, ela quase sempre é uma vogal comprida ('long vowel'). Quando ela é seguida de duas consoantes, vira uma vogal curta ('short vowel'). Daí temos que 'tinny' se pronuncia [ti-nee] (adjetivo de 'tin', lata), enquanto 'tiny' se pronuncia [tai-ni], 'pequenino'. Outro exemplo é latter [la-ter] (último) e later [lai-ter] (depois). Isso também explica a escrita e pronúncia de palavras como baffled, grammar e holler.
Uma dica que dou às crianças patagonesas: se tiver dúvidas na hora de escrever uma palavra desse tipo, pense sempre na pronúncia. É batata. Se você não souber a pronúncia, não seja preguiçoso: vá aqui e descubra. Mas lembre-se: há sempre exceções. Afinal, a gramática, como a vida, é uma caixinha de surpresas.
Um grande abraço e fique com Deus.

Mr. Hoogendorn é canadense, filho de mãe brasileira e pai holandês -- daí o sobrenome. Ex-aluno de engenharia florestal, há 15 anos saiu de Manitoba para lecionar inglês em comunidades carentes da Patagônia argentina. É também penpal de Dona Anadyr e cocunhado de Miss Marple. Acha que é legal, mas, no fundo no fundo, é um chato de galocha.

posted by el pupo 2:44 PM
escreve akê:

setor de tietagem sul.

Fiz esta "linda" montagem aqui em cima com capturas de tela do clip de Nada valgo sin tu amor, o último single do Juanes. A dica, peguei no fórum do Cultura Latina, onde eu bato ponto.
O vídeo foi filmado em Brasília, e mostra desde os edifícios cartão-postal até lugares menos ilustres, como alguns prédios de autarquias e passagens de pedestres sob os Eixos. Infelizmente ninguém me avisou da gravação para eu ir lá pedir um autógrafo...isto é, caso o Juanes-cabelón tenha vindo mesmo, porque as imagens são todas manipuladas com computação gráfica depois!
Ainda não consegui assistir o clip na MTV, mas para quem tiver paciência de esperar o stream carregar (quando fui ver, estava uma lerdeza só), por enquanto ainda dá para assistir no próprio site.
p.s. Pupo, pelo jeito nem em Bogotá o Niemeyer largaria do seu pé...

posted by rmx 2:27 PM

escreve akê:

28.9.04


homer.
Não consigo postar de casa. Vetos homéricos (homer simpson, porque minha referência é pop) do meu computador. Ele se recusa a fazer login no globber.
- Alguém me leva pro Festival do Rio? A propaganda na televisão é ridícula (alguém aí curte o suvaquinho do Luigi Barriceli?), mas as mostras parecem ser ótimas. Mil vezes mais originais e bacanas que as da Academia. Eu veria da série: Bollywood (tks, rmx) e da série:fetiche.
- Alguém quer fazer um curso de irlandês online comigo? Alguém quer emigrar an hÉireann comigo?
- Alguém aê já foi pra Corfu (é, a mesma do caso clássico da CIJ)?

(Tô mandando minha mãe pra lá e tô com medo dela odiar.)

Quoth the raven: cuén cuén!

posted by el pupo 5:13 PM

escreve akê:

27.9.04


yes, nós temos sim. Barbara já contou, o Tuntistun comentou e até o Lúcio, lascando em altíssimo estilo, não deixou passar. Portanto, não vou chover no molhado e ficar falando das atrações do BMF akê, até porque só fui na sexta-feira. Confesso que fui para lá com um pouco de medo de encontrar um Skol Beats versão poeirón, no que quebrei a cara: a organização estava impecável.
- Sem trânsito para chegar e estacionamento grátis na porta (tudo, viva o Plano Piloto);
- Sem fila para comprar, para entrar, para lanchar e para o banheiro;
- Sem muvuca para circular (apesar de que mesmo quando tinha um espaço de dois metros para cada lado, algumas pessoas insistiam em esbarrar em mim. Como eu não acredito que seja tão irresistível assim, tendo a imaginar que a oferta de colocón estava boa);
- Qualidade de som impecável - nada de grave estourado, agudos ensurdecedores - cheguei em casa com os ouvidos novinhos em folha. E olha que não estava baixo; aqui de casa eu conseguia ouvir o tum-tum-tum vindo do Estádio.
- A arena do hip-hop (OK, não precisava de hip hop no festival eletrônico, mas pra quê implicar? Há tempos que os gêneros convivem bem por aqui) construída com dois andares de carcaças de ônibus grafitados ficou surreal, impressionante.
E apesar do público pistão sul, o chão era de asfalto e a poeira não subiu - ninguém precisou usar máscara dessa vez.
Só faltou mesmo um pouco mais de ferveção, já que o palco principal ficou bem vazio na sexta e todo mundo que interessava se juntou na tenda techno. Uma pena, mas pelo menos ele e ele me fizeram companhia e assistimos a performances quase exclusivas. Da série 'me dá meu dinheiro de volta', foi só me avisarem lá dentro que o Green Velvet tinha "perdido o vôo" (a-hã), mas tudo bem - o 16B e Circulation (fazendo ao vivo, com 3 i-Books, abalam) valeram o ingresso.

posted by rmx 10:09 AM

escreve akê:

26.9.04


atrasadiño de amontillado. Se Poe fosse novaiorquinho e ex-cocainômano, soaria assim -- versão de Lou Reed para O Corvo, com narração de Willem Dafoe.

But the raven never flitting, still is sitting, silent,
Sitting above a painting, silent painting, of the forever silenced whore.
And his eyes have all the seeming of a demon that is dreaming
And the lamplight over him streaming throws a shadow to the floor.
I love she who hates me more, I love she who hates me more
And my soul shall not be lifted from that shadow - nevermore!


A peça da qual saiu esse trecho sobre a corvínia Lenore foi transformada em disco homônimo. O Guardian gostou, o Clarín entrevistou e o NYMetro gongou. As músicas realmente não são das mais inspiradas, mas as versões e leituras compensam, são ótimas. Só senti falta de The Masque of the Red Death - conto que até hoje me dá medo, muito medo.
Quoth the raven: cuén!

posted by el pupo 6:06 PM

escreve akê:

24.9.04


eu tenho, você não te-em!

posted by el pupo 11:53 AM

escreve akê:

23.9.04


protesto. Por que o Niemeyer tem autoridade sobre Brasília? Será que somos tão autoritários e incapazes de pensar e gerir a cidade que temos de recorrer sempre ao discípulo de Le Coco? Por que os jornais compram essa baboseira de "convidar o criador da obra para terminá-la" e não defendem maior abertura no processo? Por que não um concurso internacional pra projetar o Conjunto Cultural da República? Por que chamar o velhinho comunista (e dispensá-lo de uma concorrência) para criar suas lindas e não-funcionais esculturas de concreto? Por que vamos ser mais uma vez vítimas da reedição do modernismo monumentalista tardio? Por que não conseguimos acompanhar as discussões e contribuir com coisas bacanas para a arquitetura contemporânea -- como fizemos nos 40-50?
E cinemão 180° é uma coisa tão La Villette, 1986!
Eu gostei foi de algumas dessas idéias: aquário, centro de mídia, museu da fauna e da flora e prédios para se caminhar em cima. E pra não dizer que eu *odeio* Nie, eu moraria feliz na Casa das Canoas.
PS: alguém sabe se aquele projeto dele do Le Coco pra capital dum estado indiano (Punjab?) saiu do papel?

posted by el pupo 5:18 PM
escreve akê:

Esopo 2004. Se ninguém me mandar trabalhar, essa cigarra aqui vai passar o verão inteiro penando enquanto as formiguinhas se divertem.
Será que é justiça divina por eu ter interpretado, no musical da escola, uma diligente formiga que responde "Nonononono!" ao pedido de comida da cigarra?

posted by el pupo 4:04 PM
escreve akê:

Felipe Vidro.

Como boa família de classe média-wanabi-cabeça moderninha dos anos 80, constaram por um bom período da videoteca caseira da família púpica Koyaanisqatsi e Powaqqatsi. Mais do que dos filmes propriamente ditos, me lembro muito bem da música. Era Philip Glass.
Minha mãe não gostava: apesar de morar numa casa quadrada com nichos na parede, achava Glass "muito moderno e repetitivo". Meus irmãos, semi-analfas em música, não tinham nem opinião. Eu achava demais, genial. Com Jean-Michel Jarre (hahaha), Introspective dos PSB e o Arco de la Défense, Philip Glass ocupou o olimpo da modernidade de minha pré-adolescência.
Depois comecei a achar que ele se repetia e enjoei. (Desnecessário dizer que o Jarre já tinha dançado quando parei de me deslumbrar com luzinhas e lasers.)
Toda essa historinha só pra dizer: o terceiro movimento da terceira sinfonia do Philp Glass é imperdível, exasperante. E admito: gosto muito da trilha de As Horas, obra sua. Pronto, falei. Graças ao slsk, fiz as pazes com ele. Mas ainda o acho repetitivo.

posted by el pupo 3:35 PM

escreve akê:

21.9.04


eu contei... que fui ver o filme do Rei Artur? Não né?
p.s. pelo menos achei melhor do que o multimegamilionário Tróia...

posted by rmx 6:11 PM
escreve akê:

"abraços pros mano, beijos pras mina." Me peguei pensando como essa expressão não faria nenhum sentido para pessoas não-brasileiras. Na Argentina, na Itália, no Uruguai, na Rússia, é esperado que se cumprimente todo mundo com dois beijos na bochecha -- homens e mulheres. Na Inglaterra, nos EUA, na Alemanha, na China, ninguém dá beijo nem encosta em ninguém: o aperto de mãos é mais do que suficiente. Os árabes, então, são nosso reflexo: dois beijos estalados na bochecha do seu amigo, mas ai de você se encostar no rosto da mina!
Talvez a moda brasileira venha de Portugal e Espanha, lugares nos quais os mano podem ficar tranqüilos porque não terão suas bochechas violadas por nenhuma barba de marmanjo -- e podem beijar as bochechas das mina à vontade.

posted by el pupo 4:15 PM
escreve akê:

da série: tendência. A nova moda agora é sair do Orkut.
Será que tá todo mundo migrando para o Sexkut (v. 13.set)? Esse sim, eu vou ficar arrasado se ninguém me convidar hohoho.

posted by rmx 7:21 AM

escreve akê:

20.9.04


Que Twin Peaks, o quê! Ninguém vai comentar o lançamento em DVD do ano?

A Mizema já comprou o dela!

posted by rmx 2:07 PM
escreve akê:

ex ars et povezum. E na falta do que fazer ocasionada pelas férias frustradas, fui visitar uma exposição de gravuras brasilienses na Aliança Francesa. Dizem que Brasília foi o auge da gravura brasileira nos anos 80, e a exposição retratava um pouco esse período.
Das duas, uma: ou a curadoria foi muito ruim, ou tenho que começar a ficar com muita pena do restante dos gravuristas daquela década. Fora que a exposição mal tinha um texto de apresentação, quanto mais uma explicação sobre as obras. Acho que é coisa de francês. Ao contrário dos ingleses e americanos, que fazem seus museus e exposições (e tudo mais, como jornais etc.) tão didáticos quanto possível, os franceses parecem supor que com o simples poder das sinapses somos capazes de entender tudo, mesmo que não tenhamos a mínima idéia prévia do que está sendo mostrado. Então tá...
Já na exposição do CCBB com obras do Museu de Belas Artes do Rio, o problema estava justamente no texto hohohoho. O diretor do museu dizendo algo como "já é possível enxergar o Brasil fora do prisma do modernismo" e que o projeto de Brasília é filho legítimo da Escola de Belas Artes - que funcionava onde hoje é o Museu - pois Lúcio & Oscar teriam visto aquelas obras enquanto estudavam ali. Não força tanto a barra, bi.
Fora isso, a exposição é linda, imperdível mesmo, com vários clássicos que a gente está acostumado a ver nos livros de arte e história brasileira mas que poucos, além dos afortunados cariocas, têm a chance de ver de perto.
E por falar em Brasília e modernidade, só consegui ver as duas exposições na mesma tarde porque dispunha de um automóvel bem abastecido. Qualquer um que dependesse de transporte público teria preferido ficar em casa vendo TV, já que para chegar no CCBB (para quem não conhece a capital, explico: fica onde Judas perdeu as botas) é preciso uma dose extra de boa vontade, tempo e paciência. Não que em outras cidades seja muito diferente - pense na poveza tentando ir à Oca do Ibirapuera durante a semana - mas até o Conjunto Cultural da República ficar pronto (e olhe lá!) vai ser dificil a arte no DF sair do alcance quase exclusivo dos motorizados.

posted by rmx 11:23 AM
escreve akê:

palavra do dia: consapevolezza.

Seis razões por que ver Teorema:
- pelo desconcerto existencialista em apenas 923 palavras
- pelo "urlo della consapevolezza di non essere" do final
- pelas cenas do deserto (Monte Etna, chuto)
- pela empregada Emilia (melhor atriz coadjuvante em Veneza 68) sendo enterrada viva por uma velha desdentada
- pela Silvana Mangano e seu cabelão
- pelos momentos BCP 60s à milanesa

posted by el pupo 4:34 AM

escreve akê:

19.9.04


pheeeena.

Sou só eu ou mais alguém dá uma risadinha besta quando passa ali pelo autódromo?

posted by rmx 11:31 AM
escreve akê:

twenty-five going on twelve.

posted by el pupo 2:12 AM

escreve akê:

18.9.04


celebrity deathmatch. Outro dia escrevi um post "gongando" Kraftwerk, que ficou meio no ar. Esclarecendo: não tenho nenhum problema com os alemães, que inclusive vou assistir aqui em Brasília, quando eles vierem.
O negócio é que, no Tim Festival, eles estavam programados para se apresentarem no mesmo dia dos Pet Shop Boys e, nesse caso, para mim não haveria escolha possível. Simples assim.
Mas enquanto a frente úmida não tem previsão para chegar aqui no poeirón, outros bons ventos trazem algumas novidades. Agora não só a data do show dos PSB mudou para o dia 07 de novembro (ou seja, dá para assistir a ambos tranqüilamente), como eles também vão tocar em Buenos Aires entre os dias 5 e 6, no festival Personal Fest. Aliás, o festival de lá também vai ser um sucesso: Morrissey, Blondie, PJ Harvey, Rinocerose, Electric Six etc. Se joga na milhagem, bi.
E por falar em sucesso, o Guardian gongou, o Zeed também. Eu, se não fossem as agruras do destino, poderia ter dado minha impressão pessoal. Mas pelo que eu li por aí, muita gente, dentre as 10 ou 15 mil pessoas que se amontoaram sob a chuva em Trafalgar Square para ver O Encouraçado Potemkin, adoraram assistir ao filme com a trilha sonora by Pet Shop Boys e Orquestra Sinfônica de Dresden.

A escolha não foi por acaso. Eisenstein era gay e o vocalista dos PSB é graduado em história russa. Questão de afinidades, sabe?
Então, será que vai rolar em DVD? Bem, se pelo menos sair a trilha sonora, já está de bom tamanho.

posted by rmx 12:53 PM

escreve akê:

17.9.04


hep onalti'do (für immer 16)!

Uma coisa assim meio electro-pop-petit-punk-minimal-chanson. Como não gostar de um duo franco-alemão de Berlim que faz versão em turco da própria músga?
PS: praslóks, escuta akê!

posted by el pupo 4:57 PM
escreve akê:

j'ai entendu chanter la cigale!

Ouvi o primeiro cricricriiiiicriiiiiiiiiiicriiiiiiiiiiiiiiiiiiiicriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii histérico do ano! Se avizinham as monções! Woo hoo!
E no radjiño: Blind Melon - No Rain. (É verdade que o vocócócalista dessa banda se matou lá pelos idos de 95?)

posted by el pupo 3:20 PM
escreve akê:

apoiadíssimo!!!!

Bom, não vem ao caso em que site eu estava quando encontrei isso (hohohoho) mas achei a idéia ótima.
O texto dizia algo como: "Na China, dá prisão perpétua publicar fotos 'indecentes' na Internet. Vamos cuidar para que isso não aconteça aqui. Vote em novembro"
Já quero fazer lobby a favor por aqui também!

posted by rmx 2:17 PM

escreve akê:

14.9.04


outro. Pra quê meses? Eu só precisei de 3 segundos...
p.s. foda-se se esse quê é sem acento.

posted by rmx 6:13 PM
escreve akê:

Le festival. Tentativa de resumón descaradamente inspirada no post-seqüência do Sedotec sobre o mesmo assunto.

Las trebas: O Sònar Dia só era dia porque a gente olhava no relógio, já que o prédio do Instituto Tomie Othake (vulgo Complexo Carambola) é praticamente todo fechado. A laje do terraço, que balançava quando todo mundo começava a dançar e nem minha amiga engenheira nem o amigo arquiteto quiseram me garantir que aquilo não despencaria. Perder a primeira e melhor noite - Ladytron, LCD Soundsystem e Ricardo Villalobos (não conheço, mas todo mundo falou bem...) por ter feito a pobre e só ir de passagem promocional da Gol no sábado. Chegar atrasado na segunda noite e perder o cara do Metro Area. Programação apertada - ter que escolher entre ver os filmes, assistir as palestras ou ir aos shows. Instalações da Nokia querendo forçar a barra dizendo que celular pode ser usado para fazer arte: tudo o que eu vi foi uma mistura de câmeras com controles-remotos. Techno-aeróbica, aquele que é tão rápido que você tem que se preparar fisicamente semanas antes para poder dançar. IDM-barulho: experimentar com música significa que a experiência pode dar errado - e muitas vezes deu. São Paulo em si - trânsito, feiúra, lugares distantes, tudo caro - mas eu sei, só poderia ter sido lá mesmo, eles merecem. A professora da USP que foi dar uma palestra e começou a ler um texto acadêmico entediante, cheio de termos "difíceis" e a toda velocidade - fiquei com muita pena da intérprete. E onde é que enfiaram o house, caraglio?????

Els auges: Chegar no hotel e descobrir que todos os artistas do Sònar estão hospedados a alguns degraus de distância. Ficar amigo da mulher da produção e pegar carona grátis na van viaipí sentadinho ao lado das Chicks on Speed, três catalanes falando com a língua entre os dentes e um grupo desconhecido de hip hop. Ficar amigo do motorista da van e conseguir carona para a volta. Dar o truk da carteirinha de estudante vencida e pagar meia entrada. Jeff Mills batendo papo tranqüilamente com Laurent Garnier no meio do corredor. Sair do festival direto para o shopping mais próximo para comprar uma jaqueta, pois tinha esquecido a minha, o tempo esfriou de repente e começou a garoar. Entrar num spree e levar mais 3 camisas, uma bermuda, um perfume e um protetor labial. Ir para a parte noturna do evento ao lado de amigos emplogados-desencanados, incluindo o Quizzik, que entende de e-music como poucos. Ar condicionado por toda parte. Os sofás de tubos de papelão incrivelmente confortáveis. Povo lindo - esquisitinho, mas lindo. Bar e bilheteria que aceitam cartão de débito A menina que se esgoelou ridiculamente ao cantar I will always love you, da Whitney, acompanhada de uma produção de tecladinho de churrascaria e repetindo o berro do refrão infinitamente, cada vez num tom acima. Junior Boys - duplinha canadense laptop-synths-guitarra-vocal - lindo, lindo, lindo - encerraram o último dia, deixando todo mundo feliz e amêgo e causando correria par a loja para comprar o CD. Não tinha, já baixei mas o som de estúdio não é bom, a voz mal aparece - a apresentação sim, foi mágica. Prefuse 73 - hip hop, eu? É hip hop, eu. Seguido de downloads, sim. É bom! Internet grátis e sem muita fila nos lounges. Café expresso e chocolate quente. Cortina blecaute e cama de casal só pra mim.

O saldo: Torréio, cheguei exausto, jet lag, minha perna tá doendo, a comidinha no aeroporto me deu dor de barriga, o BMF vem aí, o Tim Festival e o Creamfields também.
p.s. e voltei sentindo a secura de Brasília, à qual sou totalmente acostumado...eu hem.

posted by rmx 5:37 PM
escreve akê:

sin pretenció. Recebi há poucos dias um "boletim cultural" que dizia que o Sònar Sound trazia ao Brasil uma suposta vanguarda. Afirmava que a verdadeira vanguarda eletrônica eram os experimentadores da década de 50 (i.e. Stockhausen & cia.), que faziam arte com parco patrocínio estatal e ultrapassavam os limites da música daquele tempo. Segundo o boletim, os artistas atuais não são vanguarda coisa nenhuma, uma vez que são apoiados por uma mega infra-estrutura e incluídos na estratégia de marketing de um patrocinador com interesses comerciais. Ora, ora, não sou antropólogo nem teórico da arte, mas convenhamos: difícil aplicar o termo vanguarda à modernidade fragmentada (à qual andam botando o carro na frente dos bois e chamando de pós-modernismo) atual e ignorar que, hoje em dia, cultura é parte valor simbólico, parte commodity, coisa que ainda não tinha chegado a se tornar tão intensamente em 1950. Ainda mais com esses argumentos. Enfim, não sei a que serviu o texto do moço, senão para dar uma xoxada no evento e a impressão de que a Nokia e o Sònar estariam fazendo alguma espécie de propaganda enganosa quando anunciaram o Sònar Sound como uma mostra do festival de música avançada e multimídia de Barcelona.
Talvez ele esperasse alguma espécie de evento sobre os rumos do desenvolvimento musical, à là IRCAM, ora imaginasse um manifesto da cybercultura ao gosto do grupo de pesquisa viajandão da UFBA, ou quem sabe, aguardasse o anúncio da continuação das revoluções do séc. XX na forma de produzir sons (depois da invenção dos instrumentos elétricos e o surgimento do sampler). Eu não. Fui simplesmente com o ouvido curioso, para saber se havia surgido alguém com uma nova forma divertida de fazer velhas coisas.
A resposta foi: sim e não. E tinha de ser ambígua mesmo, afinal o significado de "divertida" depende absolutamente do gosto do freguês, não é mesmo?

posted by rmx 4:38 PM
escreve akê:

Now it almost seems impossible
I may be wrong, but I thought we said
It couldn't happen here.

posted by rmx 10:41 AM
escreve akê:

terminaux? Hoje, enquanto fazia hora para ir ao aeroporto, vi a Marina Person na MTV se referir ao Spielberg como "o mestre" - título mais que merecido para quem dirigiu Star Wars e xoxou os escoteiros naquele caso da homofobia hohoho. Mas realmente parece que Tio Steven não quer me ajudar a perder a minha antipatia pelo Tom Hanks. Êta filminho fraco, esse do Terminal, sô.
Só se salva mesmo a beleza estonteante da Kate Zeta-Jones (diós, é buniteza demais para um ser humano só, pelamor!) e o Diego Luna coadjuvando de bigodinho (apesar do papelzinho de chicano ilegal, falou mais do que o Rodrigo Santoro naquele filminho inglês).

posted by rmx 12:05 AM

escreve akê:

13.9.04


momento party monster.
Depois de ler o party pooper, nada me resta a fazer senão exercitar minha verve Dalloway (ou quase) e pedir pro rmx contar logo como foi o Sonar. Take me to the club (uaum uaum).

PS: meu irmão trocava g por b quando criança. Será que é genético ou mais alguém se pega digitando globber.blogo.com?

posted by el pupo 1:36 PM
escreve akê:

post scriptum. Atenção! Cuidado! Os escritores desse blog foram acometidos pela síndrome do PS! A situação de el pupo parece ser extremamente grave. Ajudas para quebrar o quebranto serão bem-vindas.

anta. Alguém pode me dizer onde e quando a letra "h" em português passou a ser aspirada? Queria saber de onde é que os mídia (sic) e os governante (double sick) tiraram a peculiar pronúncia de rrantavírus (sic sick sick!).

posted by el pupo 1:16 PM

escreve akê:

12.9.04


sous le pavé, la plage (ou soft porn for socialites).
Sabe aqueles filmes que, quando terminam, você fica com um aperto no coração, com vontade de que não acabasse nunca? The Dreamers, o último filme do Bertolluci, é um deles.

Talvez porque, como o protagonista Matthew, eu também tenha me apaixonado pelos dois irmãos -- e, de tabela, pelo filme.
(PS: o site oficial do filme, bacanésimo, só vai ter a graça toda pra quem já assistiu.)
(UPDATE: estimulado pela resenha da Publisher's Weekly na B&N, acabo de eleger o livro-fonte meu mais novo objeto de desejo.

posted by el pupo 7:36 PM

escreve akê:

11.9.04


Himalayan Nights©.
Fui esperando *nada*, com a ruinheza de Sinais ainda fresca, mas me surpreendi. Acompanho o voto do Zeno e qualifico o meu. Tinha visto uma entrevista com o Shyamalan em que ele disse ter escrito A Vila influenciado pelo 11 de setembro. Ao final do filme, importunei meus co-espectadores com uma interpretação que foi bem-recebida. Since it's all about sharing...
****momento-spoiler! (Belly, pare de ler AGORA se você ainda não assistiu!)****

A Vila é uma comunidade tipicamente americana construída em cima do medo. Mudando algumas cositas, poderia ser um condomínio Alphaville ou um kibutz israelense. De cara mostra que é possível construir uma sociedade que funciona (eles plantam, colhem, festejam, constróem) a partir do medo comum. (Não é só possível, mas não é sob(re) o medo, em última instância, que se constrói toda comunidade política? Pra proteger-nos da guerra (interna e externa) de todos contra todos e tornar a vida menos nasty, brutish and short?) O filme anda. Os protagonistas se apaixonam. Vemos pistas de segredos (e desejos) escondidos. As falas dos adultos com as 'crianças' são es-pa-ça-das e empostadas. (Um thread muito bom debate os elementos de contos-de-fada e o uso das cores no filme.) Há um mal-estar e uma falsidade ali.
Descobrimos primeiro que os monstros são de mentira, encarnados pelos anciões, e, segundo, que a comunidade em si é uma farsa, um grande RPG orquestrado pelo ex-professor de história dos EUA, Mr. Walker (livre-associação com George Walker Bush). Por diós, pero qué querrá decir este hombre Shyamalan? Ele parece querer dizer que o medo é criado por nós mesmos por não sabermos lidar com a frustração e a perda, e nos advertir contra a manipulação. Os anciões se mostram os covardes que, para se refugiarem de suas perdas (e do mundo), manipulam as crianças (não há meio-termo no filme: ou você é ancião, ou você é criança, ou você é coadjuvante-ovelha) e criam uma farsa baseada no isolamento. "But the world comes a-knocking". Pelas mãos do louco, filho dos artífices, portador daquilo que queriam escapar: o crime.
Há esperança? Não fica claro. Os heróis são, no fundo, quase anti-heróis. A mulher a quem é revalada a farsa é cega, não pôde ver a realidade do mundo exterior; ela mesma não consegue se desvencilhar dos medos que lhe foram ensinados (na floresta, ainda teme os monstros mesmo depois da aclaração do pai). Os anciões, ao redor da cama do moribundo, se mostram firmes pela defesa da mentira. O corajoso Phoenix, que poderia contestar tudo, é apunhalado pelo louco Brody. E sua coragem tem um limite: a autoridade da mãe e dos anciões. O louco é punido no final, com a morte, mas nem isso altera a disposição dos anciões de manter a farsa. Nem mesmo a morte de um de seus filhos os leva a refletir. Alguém gritou Iraque aí?
O ponto alto, pra mim, é a cena em que o guarda da reserva busca os remédios pra entregar à Ivy. Seu supervisor (o próprio diretor, em momento-Alfred-Hitchcock) lê notícias sobre a ocupação americana no Iraque. A manchete: "Seven more soldiers dead". O supervisor abaixa seu jornal e passa um longo sermão no guarda sobre a necessidade de não falar muito com os outros e de não estimular a dúvida, porque senão os guardas se ferram. Pimba. Se já não tinha ficado claro, agora, com pessoas fardadas falando, é cristalina a crítica à manipulação da informação. É o Fahrenheit 9-11 da Disney, como diz esse comentário da war-mongering Fox News.
O uso de truques batidos de enredo (a cabana proibida, a menina cega, o buraco) não compromete a qualidade. Eles só ressaltam o caráter de fábula do filme: uma bonita, simples e triste fábula política. Me lembrou Spielberg e seus eternos temas do estranho, da fuga e do desencontro, só que sem a redenção. Ecos de The Scarlet Letter, The Masque of the Red Death. A beleza do filme está em mostrar que acreditar no 'sonho' (american dream?) não basta; o dream é *sempre* fabricado por alguém, e o bicho-papão vai te pegar, por mais protegido atrás de grades e mentiras você esteja. E que por mais que o pai da cega diga que o amor a salvará e que faz tudo por amor, é tudo balela: ele sabe que pode mandá-la porque ela é cega, não poderá dizer que o mundo lá fora é outro e não ameaçará seu poder. Gosté.

PS: Por vezes pareceu inverossímil (como a cega não se perde na mata? O amor a guiou. Ahã. Buñito). Nada que um pouco de abstração e boa-vontade não resolvam. Tampouco senti que o filme se arrastou, talvez porque eu já estivesse ligado tentando entender a relação com o 11-9.

posted by el pupo 3:54 AM

escreve akê:

10.9.04


vamos a la plaja.

Depois de ouvir cinco vezes Dragostea Din Tei, ritão do verão euxino pespegado ao meu cérebro até agora (tks, rmx e Mr.P) me deu uma vontade de pegar uma praia em Constança, na costa do mar Negro. Acho que é lá que vou terminar meu roteiro .sk!
E, pra balada, confira a revista online de cultura clubbing (assim mesmo, como português).

posted by el pupo 7:31 PM
escreve akê:

com todo respeito, mas... Kraftwerk de c* é r**a.
p.s. Isto não é um gongo. Explicações em breve hohohoho.

posted by rmx 5:03 PM
escreve akê:

I like Ike, we like Ike!

Ontem passei duas horas e meia assistindo às propagandas políticas dos EUA desde 1952 no Living Room Candidate. Aviso: vicia. Já deu tempo de formar uma teoria muito própria de que as propagandas dos Republicanos são quase sempre melhores que as dos Democratas. Minha preferida: Nixon 1968. Música boa, edição inovadora, toda em cima de stills e a voz em off do grande Nixon.
O engraçado foi, depois de ver todos os comerciais em ordem cronológica, pressentir que o Bush ganha fo'mo'yeaz. E perceber que minha simpatia pelo Kerry é completamente irracional - me deslumbro com a família e o background aristocrata-East-Coast dele. Fiquei querendo ser amigo da Vanessa. Quem pensou que a escolha política é primeiramente racional nunca deve ter votado. Né, Nessa?

posted by el pupo 2:58 AM
escreve akê:

Como é bom ser rico (e Ivy League).
Duke Distributes iPods to First-Year Students, customizados e com o emblema da universidade.
(A galera da facul deve ter gostado; pros do churras e da night, nada.)

PS: não resisti e fiz o Which Ivy League University is right for you. Deu Princeton: You're smart, you're thin, you're pretty, and goddamit, people love you. You are destined for great, great things, little Princetonian. Let there be a never-ending stream of Country-Club-Like institutions in your unmarred future. É pra cheer me up? Também achei que não.

posted by el pupo 2:44 AM

escreve akê:

9.9.04


da série: posts que eu queria ter escrito. Alo? Salut? Haiduc? Dance music cantado em romeno?? É por isso que eu adoro ter blogs que nem The Black Lodge nos meus bookmarks. (leia o post do dia 7 e você vai entender).
posted by rmx 7:16 PM

escreve akê:

8.9.04


aforismos com Grace:
-- The situation of man is the preceptor of his duty. (Edmund Burke)

posted by el pupo 7:58 PM
escreve akê:

e no radjin-jean-genie-inho:
J'aime pas l'habitude / J'aime pas quand ça dure / J'ai pas vingt ans
J'ai pas d'attitude / même si j'ai l'allure / J'ai pas vingt ans
Et des talons aiguilles / un talent de filles / Mélodies du vent (mélodies du vent)
(Alizée - J'ai pas vingt ans)

Tonalidade e guitarrinhas oitentistas, letrinha boba e semi-trava (menção a salto alto e tudo!), brega pra caray. Ótima pra sing-a-long!
[Gafañotado de J. Gracias.]

posted by el pupo 7:51 PM

escreve akê:

5.9.04


terceira via.

posted by el pupo 11:28 PM
escreve akê:

les invasions barbares (ou le déclin de l'empire brésilien). Muito se fala no Brasil e algures sobre a ignorância do americano médio. Me parece um exercício baseado em três coisas: constatação empírica, desprezo (ou inveja) e preconceito. Que a grande maioria dos americanos não sabe usar o subjuntivo (If I was, You was going, etc.) e que o sotaque com o erre enrrolado é engraçado não se discute. O que me choca é que muitos não se dão conta de que as aparentes limitações culturais americanas não são tão piores que as nossas.
Tudo isso pra tratar da minha mais recente passação: é moda, agora, as pessoas falarem como se tivessem estudado só até a 4a série primária.
Vi isso acontecer com um membro da minha família há uns 5 anos. Estranhei, pensei, "Bom, en vogue, passa." Qual-o-quê! Conheci outro dia bacharel em direito por renomada faculdade brasiliense que se expressava assim, "Ói, os goró tão lá, bora enchê a lata. Fica aqui remueno é que não fico. Tu vai?" Comecei a reparar. A Adriane Galisteu, a Ana Maria Braga e alguns entertainers falam assim também. No trabalho, no prédio, no comércio, muitas pessoas falam assim. E não é sotaque caipira ou regional, não; essas pessoas são brasilienses de longa data, filhos de imigrantes cearenses, cariocas, goianos, baianos. O cúmulo: me espantei quando me peguei falando assim com a minha empregada.
Um sotaque tenebroso acompanha, muitas vezes, as libertinagens gramaticais. Mistura de mineiro-goiano-paulistês caipira -- sem o charmim e a pretensa ingenuidade -- com carioquês -- sem o chiado mas carregado na malandraji. Um sotaque feio, duro, que mata o cantar da língua de forma ímpar e parece reduzir o falante a condição asnina. O exemplo mais bem-acabado que conheço: Ana Maria Braga. Ela pode ser super inteligente e perspicaz, mas pra mim parece uma retardada falando.
Engraçado notar que isso não acontece só no Brasil. Nos Estados Unidos nos últimos 15 anos a retardadização da língua parece ter sido bem mais profunda do que aqui. À mudança normal de gírias (man e groovy viraram dude e kewl) juntou-se uma alteração na entonação e construção das frases que me parece brutal. O uso de muletas do tipo "Like, uhm, you know" é aceito normalmente; o inglês-padrão (Upper-Midwest) está mais comido e nasalizado (talvez pelo crescimento dos 'burbs e e do interior) e continua na moda o sotaque pseudo-gangsta limpo e branqueado valorizado pela MTV e indústria musical.
Tudo isso pra mim parece ser hipocrisia pura. Buscar integrar o marginalizado valorizando elementos da cultura marginal _em detrimento_ da cultura 'dominante' pode até ser aceitável. Mas considero inaceitável que isso se realize primordialmente no plano do discurso, construindo um simulacro de integração do excluído na cultura do excluinte que cega ambos. Me parece ser característica de sociedades extremamente desiguais que se querem democráticas: quem tem poder busca se aproximar do exclúido, mostrar-lhe que o que os separa não é nada demais para reduzir o potencial de conflito ou os custos relacionais. Para se aproximar, ao invés de contribuir para a cultura do outro, renuncia à sua própria, simulando uma identidade comum irreal.
Nada mais cômodo. Nada mais perigoso: cria-se um estigma contra a cultura (civilização, kultur, o que queiram) que pode dar a tônica da nossa sociedade nivelando todos por baixo, perpetuando a exclusão e renunciando aos cânones culturais.
(Perdoem-me o petit-manifesto, mas tomei a pílula da Emília hoje!)

posted by el pupo 9:38 AM
escreve akê:

infância, volver! (ou da série: primeiros parágrafos)
"The news just came in
From the County of Keck
That a very small bug
By the name of Van Vleck
Is yawning so wide
You can look down his neck.
This may not seem
Very important, I know.
But it is. So I'm bothering
Telling you so."
Assim começa Dr. Seuss's Sleep Book. Dr. Seuss escrevia na melhor tradição dos nursery rhymes de antanho, com riminhas, encadeamento e aliteração que cativam toda e qualquer criança angloparlante. Ele faria 100 anos em 2004. Seus Sleep Book, One fish, two fish... e desenhos são dos melhores recuerdos de Ypacaraí de mi niñez.
Ou vocês já viram peixe mais *maroto* que o blue fish?

posted by el pupo 8:17 AM

escreve akê:

4.9.04


booming. Ozgur Can - Connected
posted by rmx 5:16 PM

escreve akê:

3.9.04


da série: primeiros parágrafos.
"From the oval-shaped flower-bed there rose perhaps a hundred stalks spreading into heart-shaped or tongue-shaped leaves half way up and unfurling at the tip red or blue or yellow petals marked with spots of colour raised upon the surface; and from the red, blue or yellow gloom of the throat emerged a straight bar, rough with gold dust and slightly clubbed at the end. The petals were voluminous enough to be stirred by the summer breeze, and when they moved, the red, blue and yellow lights passed one over the other, staining an inch of the brown earth beneath with a spot of the most intricate colour. The light fell either upon the smooth, grey back of a pebble, or, the shell of a snail with its brown, circular veins, or falling into a raindrop, it expanded with such intensity of red, blue and yellow the thin walls of water that one expected them to burst and disappear."
(Virginia Woolf, "Kew Gardens")
Esse parágrafo é a coisa mais sensorial que já li. Me sinto um besourinho no meio de um rodopio de cores num canteiro dos Jardins de Q. Viva stream-of-consciousness, viva Woolf!

PS: eu *amo* o Bartleby!

posted by el pupo 11:36 PM
escreve akê:

é infame, mas eu gosto!
"O que faz Fábio Jr. na capa da revista 'Flash' sobre discos voadores? Amigos de Amaury Jr. estão preocupados."
Tutty Vasques (que eu chamava de *a* Tutty, talvez porque me lembrasse da Tootsie). Saudades de "A Caras do Tutty"!

da série: mulheres que marcaram minha vida©

posted by el pupo 10:13 PM

escreve akê:

2.9.04


loucurinha. Tem coisas que só 2 copos e meio de gin-tonica fazem por você.
posted by rmx 12:36 PM
escreve akê:

panfletage-ativismo du jour. Uma das 6 sugestões da Wired pra 'reboot the system' (i.e. melhorar a democracia):
Problem #5: Old-style protest doesn't work
Solution: Try new methods of activism. Protests, once a mainstay of political activity, have lost their mojo. What's needed is a new generation of tech-savvy hell-raisers to create new styles of dissent. At two Davos forums, Swiss agitprop artist Johannes Gees rigged laser projectors to beam enormous messages onto the sides of mountains and buildings. Anyone could SMS a note to be displayed to the world's power elites. (One message asked, "What will our great-grandchildren think of us?") When Bush visited the UK last fall, the British government tried to keep his movements a secret - so a group of smartmobbers set up a texting system to deliver automatic updates of the president's whereabouts. And at the Republican National Convention, technologist Joshua Kinberg planned to unleashed "Bikes Against Bush" - bicycles capable of spraying slogans on the road as they roll, like mobile dot matrix printers. The takeaway: An angry Web site isn't enough. Digital protest has to hack the real world.
update: o cara do Bikes Against Bush foi preso!! Antes que pudesse fazer sua gadget politics, droga...

posted by el pupo 11:27 AM

escreve akê:

1.9.04


next stop is...

...Cockfosters!

posted by rmx 8:38 PM
escreve akê:

da série: gongatif. Devia ter escutado o rmx. Tinha lido algumas críticas sobre o filme. Fui sem muitas expectativas, mas sem preconceito. Mas não deu. Achei uma drOlga. Aos motivos:
**AVISO: CONTÉM SPOILERS!***
1. "Acho que nunca vou entender esse país [Brasil]. Aqui achei minha felicidade e a perdi." Blargh. Diálogos empostados e artificiais. Atuação idem: olho grande e claro lacrimejando *não* emociona ninguém. Onde é que essa galera tá aprendendo a atuar? Na escolhinha da Globo? Ou no teatro com os métodos mudernos do Zé Celso?
2. A trilha sonora.. socorro! Foram mais de duas horas sendo chamado de idiota. Ela pon-tu-a o filme o tempo inteiro, indicando "Chore aqui. Agora, suspense!, fique apreensivo. Chega. Agora é pra ter esperança." Um monte de sobe som de trilha orquestrada. Imagino que era pra compensar a falta de expressão dos atores. E em toda cena externa com nazistas na Alemanha se ouvem os mesmos latidos de cachorros e zunzunzun germânico. Imaginio que era pra ressaltar o clima opressor.
3. Mostrar a Alemanha nazista sempre nevando pra ressaltar a 'diferença' é meio batido, mas tudo bem, zuzu angel... agora, neve em Hamburgo, em outubro?
4. As cenas de sexo entre Huelga e Prestes são tão, tão, tão clichezentas que chegam a ser risíveis. Preciso relatar a seqüência mais memorável, mesmo correndo o risco de parecer chato: Esconderijo de Olga e Prestes no Méier. Clima tenso, mas carinho intenso. Dançam abraçados no quarto do esconderijo. Sobe som, música romântica. Corta. Tomada externa. Enquadra a janela (ligeiramente úmida). Pelo vidro, vê-se Olga, desnuda, olhar perdido no infinito. Prestes se aproxima, então, e começa a ralação. Mas peraí, eles não estavam dançando? Como ela foi parar na janela? Disse, "Espera, querido, preciso olhar o infinito com os peitos pra fora!"?
5. Os enquadramentos. Parece que o diretor quis usar todas as tomadas manjadas do cinema. Tem a clássica tomada de sombra, foco infinito com avião no primeiro plano, Olga entrando no hangar caminhando decidida até o primeiro plano. Tem a cena de amor com foco de luz pálida, etérea, ressaltando as curvas da protagonista. Tem a cena dos amantes sendo separados pelos bandidos, com os dois se aferrando até o último dedo. Tem a cena do chuveiro, Olga sofrendo com a gravidez na prisão. Tem a cena do bebê chorando, da menina rindo. Tem a cena à meia-luz, um pouco enfumaçada, do ditador e seu repressor.
6. A única cena bacana (e bem sacada) é a final: pela janelinha da porta da câmara de gás vê-se Olga, impávida, enquanto as outras mortais se esguelam e estrebuxam, sufocadas aos poucos pelo Zyklon-B.

Que xampu o diretor, o roterista e o continuista usam? (Porque a gente já sabe que novela que eles fizeram.) Tudo, claro, garantido pela linda lei de incentivo à cultura pela isenção fiscal e por uma bunita linha de crédito do BNDES. Traduza-se: dinheiro do meu bolsillo. Tchã!

Resumindo: se arte é feita pra mover ou acrescentar, isso não é arte. Nem entretenimento. Passo.

O que valeu a noite mesmo foi a menina ao meu lado no cinema com o namorado. Nas cenas de sexo, ela tapava os olhos do mancebo com as mãos e falava alto, "Isso você não pode ver, amor." Que Olga o quê, dedicação é isso aí!

posted by el pupo 1:26 AM

escreve akê:
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re_invigorate

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